Na Enfermagem Transpessoal, o Cuidar-Curar são empregadas como artes curativas na transformação pessoal e de cura holística, em lugar do tratamento e cura tradicional, focado na eliminação dos sintomas. Todavia, observa-se na prática que os profissionais da saúde, dentre eles a equipe de enfermagem, são considerados como profissionais da doença, cujo tratamento é centrado na sintomatologia da doença.
Sendo assim, o ser humano é colocado como segundo plano, bem como seus medos e anseios perante ao que ele está vivendo naquele momento. Em nome de um cuidado voltado à ciência e à eficiência, o corpo e o saber sobre o corpo são abandonados, em detrimento de uma alta tecnologia e pouco conhecimento sobre o que sente o ser cuidado.
O enfoque no processo do adoecer gera como conseqüência a expectativa de que o processo do curar seja sempre possível e quando esta não acontece há um sentimento de frustração pela equipe de saúde , pois estes se baseiam na ausência da doença e não no acontecimento do melhor para o indivíduo.
Com relação ainda ao processo do curar, Waldow (2004, p.13) relata que a cura da doença sempre é esperada, todavia nem sempre ela ser alcançada. Porém, quando tal fato acontece, “mais ainda deveriam importar as ações de cuidar, o seu processo e a presença do profissional como ser humano competente e sensível. Não significa que o cuidado não contemple a cura, o que é necessário salientar é que não é a sua prioridade”.
Portanto, no que se refere à enfermagem, a autora afirma que a maior ação da enfermagem não é a cura, e sim uma ação que engloba atitudes e comportamentos que “visem aliviar o sofrimento, manter a dignidade e facilitar meios para manejar com as crises e com as experiências do viver e do morrer” (WALDOW, 1998, p.129; 2004).
Em acréscimo, Zauhy; Mariotti (2002, p. 53), inferem que “muitas vezes a saúde, a cura, a prevenção, depende de tantos fatores, que não estarão em nossas mãos, porém o acolhimento e o cuidado – estes sim, sempre possíveis – mesmo que não possam curar a patologia, poderão, antes de tudo, “curar” a desumanidade, uma doença que está nos matando a todos”.
Vanessa Rocha
Enfermeira
BIBLIOGRAFIA:
CARVALHO, A. R. S.; PINHO, M. C. V.; MATSUDA, L. M. ; SCOCHI, M. J. CUIDADO E HUMANIZAÇÃO NA ENFERMAGEM: REFLEXÃO NECESSÁRIA. 2° Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais no Brasil. São Paulo. 2005.
BORGES, M. S.; SILVA, H. C. P. Cuidar ou tratar? Busca do campo de competência e identidade profissional da enfermagem. Rev Bras Enferm. Brasília. set-out /2010; 63(5): 823-9.
VALENTE, M. I. P. A ENFERMAGEM NUMA VISÃO TRANSPESSOAL. Disponível em: http://www.infiressources.ca/fer/depotdocuments/A%20ENFERMAGEM%20NUMA%20VIS%C3%83O%20TRANSPESSOAL.pdf. Acessado em: 25.10.2011.
WALDOW, Vera Regina O cuidado na saúde: as relações entre o eu, o outro e o
cosmos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.
______________ Cuidado humano: o resgate necessário. Porto Alegre: Sagra-Luzzato, 1998.
ZAUHY, C.; MARIOTTI, H. O pensar: considerações éticas. In: ZAUHY, C.; MARIOTTI, H. Acolhimento: o pensar o fazer o viver. São Paulo: Secretaria Municipal de Saúde, 2002.