Para os pesquisadores da medicina clínica, cura é uma palavra embaraçante. Ela expõe as raízes arcaicas da medicina e da psiquiatria; raízes que são comumente escondidas sob a face da ciência biomédica de assistência à saúde atual. Isto sugere o quão pouco realmente sabemos acerca da função mais central do cuidado clínico. Isto condiz muito bem com as críticas levantadas pelos pacientes e consumidores em geral do sistema de saúde. Isto levanta indagações que mexem com significados e valores atribuídos pelo homem que não são facilmente reduzíveis a questões que podem ser respondidas com simples explicações biológicas. (KLEINMAN; SUNG, 1979, p.7).
Ponto de partida para uma reflexão acerca do conceito de cura, esta pergunta nos remete às distintas concepções de saúde, de doença e das práticas a elas atreladas, que, por sua vez, constituem o que aqui se denominam “Atos de Saúde”. Conceber as diferentes formas pelas quais estes atos se expressam, nos mais diversos contextos socioculturais, constitui o substrato essencial para repensar o entendimento do complexo saúde-doença-cuidado-cura e, a partir dele, avaliar a “pertinência, consistência e potencial heurístico” dos conceitos de cura e tratamento para uma teoria geral da Saúde, proposta do capítulo-eixo de discussões deste Blog.
ResponderExcluirDalva Daniele Vivas
Fonoaudióloga