segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

A cura



“Apesar de tudo, a cura sempre tem um caráter de benefício [bien-fait] por acréscimo – como afirmei, para escândalo de alguns – mas o mecanismo (da análise) não é orientado para a cura como finalidade. Não digo nada que Freud já não tenha formulado poderosamente: toda inflexão em direção à cura como finalidade – fazendo da análise um meio puro e simples para um fim preciso – dá algo que estaria ligado ao meio mais curto e que só pode falsear a análise”.

A respectiva citação assume uma conduta de complementariedade do tema que implica desconstruir a perspectiva biomédica segundo a qual a medicina seria suposta detentora de uma verdade absoluta sobre a doença e os princípios curativos. E vai um pouco além de conceituações, como:

"Curar é criar para si novas normas de vida, às vezes superiores às antigas".


"A idéia de uma cura que não significa retorno à normalidade parece extremamente fértil. Afinal, a experiência de adoecimento sempre constitui um marco (positivo ou negativo) na história de vida de qualquer sujeito".


REFERÊNCIA:

J. Lacan, intervenção na sessão de 5 de fevereiro de 1952 da Sociedade Francesa de Psicanálise: “Le rendez-vous avec le psychanalyste”, in La Psychanalyse, nº4, Les psychoses, PUF, 1958, p.309.

Manuela Lordão
Psicóloga

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