As concepções de saúde-doença e as práticas de cura não se inserem apenas no discurso da medicina oficial dos profissionais de saúde, mas se configuram como expressões culturais próprias, nos processos de alternativas mediante mecanismos complexos, quantas vezes contraditórias, que se traduzem em respostas que contêm ao mesmo tempo aceitação, incorporação ou resistência.
As questões ligadas à saúde, a doença e ao processo de cura, enquanto fenômenos biológicos, psicológicos, sociais e culturais, têm seus esquemas internos de explicação, construídos diferentemente pelo paradigma das ciências biomédicas e das ciências sociais.
Os profissionais de saúde, por motivos relacionados com a sua formação acadêmica e profissional adotam de forma privilegiada, o conceito biomédico, no qual é importante acreditar que aquilo que se estuda é fundamental para explicar a doença e promover a cura.
No entanto, a tríplice saúde, doença e cura são constructos sociais que não podem ser estudados de forma isolada, isto é, não podemos compreender as reações à doença, morte ou outros infortúnios sem compreender o tipo de cultura que determinados povos foram assimilando ao longo das gerações.
Sheila Nascimento
Fisioterapeuta
GONÇALVES, A. M. A doença mental e a cura: um olhar antropológico. Escola Superior de Enfermagem de Viseu - 30 anos.
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