segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um acréscimo sobre a cura na perspectiva da Enfermagem

Na Enfermagem Transpessoal, o Cuidar-Curar são empregadas como artes curativas na transformação pessoal e de cura holística, em lugar do tratamento e cura tradicional, focado na eliminação dos sintomas. Todavia, observa-se na prática que os profissionais da saúde, dentre eles a equipe de enfermagem, são considerados como profissionais da doença, cujo tratamento é centrado na sintomatologia da doença.

Sendo assim, o ser humano é colocado como segundo plano, bem como seus medos e anseios perante ao que ele está vivendo naquele momento. Em nome de um cuidado voltado à ciência e à eficiência, o corpo e o saber sobre o corpo são abandonados, em detrimento de uma alta tecnologia e pouco conhecimento sobre o que sente o ser cuidado.

O enfoque no processo do adoecer gera como conseqüência a expectativa de que o processo do curar seja sempre possível e quando esta não acontece  há  um sentimento de frustração pela equipe de  saúde , pois estes se baseiam na ausência da doença e não no acontecimento do melhor para o indivíduo.

Com relação ainda ao processo do curar, Waldow (2004, p.13) relata que a cura da doença sempre é esperada, todavia nem sempre ela ser alcançada. Porém, quando tal fato acontece, “mais ainda deveriam importar as ações de cuidar, o seu processo e a presença do profissional como ser humano competente e sensível. Não significa que o cuidado não contemple a cura, o que é necessário salientar é que não é a sua prioridade”.

Portanto, no que se refere à enfermagem, a autora afirma que a maior ação da enfermagem não é a cura, e sim uma ação que engloba atitudes e comportamentos que “visem aliviar o sofrimento, manter a dignidade e facilitar meios para manejar com as crises e com as experiências do viver e do morrer” (WALDOW, 1998, p.129; 2004).

Em acréscimo, Zauhy; Mariotti (2002, p. 53), inferem que “muitas vezes a saúde, a cura, a prevenção, depende de tantos fatores, que não estarão em nossas mãos, porém o acolhimento e o cuidado – estes sim, sempre possíveis – mesmo que não possam curar a patologia, poderão, antes de tudo, “curar” a desumanidade, uma doença que está nos matando a todos”.



Vanessa Rocha
Enfermeira


BIBLIOGRAFIA:

CARVALHO, A. R. S.;  PINHO, M. C. V.; MATSUDA, L. M. ; SCOCHI, M. J. CUIDADO E HUMANIZAÇÃO NA ENFERMAGEM: REFLEXÃO NECESSÁRIA. 2° Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais no Brasil. São Paulo. 2005.

BORGES, M. S.; SILVA, H. C. P. Cuidar ou tratar? Busca do campo de competência e identidade profissional da enfermagem. Rev Bras Enferm. Brasília. set-out /2010; 63(5): 823-9.

VALENTE, M. I. P. A ENFERMAGEM NUMA VISÃO TRANSPESSOAL. Disponível em: http://www.infiressources.ca/fer/depotdocuments/A%20ENFERMAGEM%20NUMA%20VIS%C3%83O%20TRANSPESSOAL.pdf. Acessado em: 25.10.2011.


WALDOW, Vera Regina O cuidado na saúde: as relações entre o eu, o outro e o
cosmos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004.

______________ Cuidado humano: o resgate necessário. Porto Alegre: Sagra-Luzzato, 1998.

ZAUHY, C.; MARIOTTI, H. O pensar: considerações éticas. In: ZAUHY, C.; MARIOTTI, H. Acolhimento: o pensar o fazer o viver. São Paulo: Secretaria Municipal de Saúde, 2002.

Um comentário:

  1. Tal literatura supracitada faz uma abordagem de como a cura é vista sob a perspectiva da Enfermagem; sendo assim, o que pude observar a cerca da temática cura-doença-cuidado foi que, ao longo da minha graduação tive uma formação onde devemos enxergar o ser humano com uma visão bio-psicossocial e espiritual, que segundo Wanda Horta é composto por necessidades humanas básicas, que se originam de uma quebra do estado natural de saúde do individuo e, por isso, necessita de cuidados. Todavia, o que observei nas práticas curriculares e que é reforçado pelo texto supracitado, foi que ainda temos uma forte tendência em colocar em primeiro plano a doença em detrimento do individuo em si. Isso por que nós profissionais de saúde, ainda estamos impregnados com o conceito saúde-doença tradicionalista, em que a saúde sempre será restabelecida através do processo de cura, e quando acontece fora das expectativas esperadas há um sentimento de frustração. Portanto, como forma de mudança desse cenário, onde em lugar de colocar a doença em primeiro lugar, passar a colocar o indivíduo e suas necessidades passíveis de cuidados como algo prioritário, autores como Waldow (1998;2004) suscitam um pensar crítico sobre o conceito de cura, que vai muito além do que a simples remissão de sintomas, e como nós profissionais de saúde, em especial da equipe de enfermagem, podemos agir diferente e garantir que haja um cuidar mais holístico do individuo a ser tratado.

    Vanessa Rocha
    Enfermeira

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