A análise produz efeitos de diminuição, e até de desaparecimento do sofrimento do paciente, no que tange, aos efeitos curativos da análise. Cabe ao analista ‘esperar’ uma melhora nas posições subjetivas e objetivas do analisando. De acordo com Nasio (1999) a cura não é um conceito, nem um objetivo, e nem mesmo um critério, o que equivale a não ceder diante da influência do modelo médico, discordando assim da primeira frase citada que trás uma ‘fórmula’ para o conceito cura.
A cura no analisando
A cura no analisando
Lacan (1974) coloca que "a cura é uma demanda que parte da voz do sofredor, de alguém que sofre por seu próprio corpo ou por seu pensamento". Faz-se indispensável que o analisando se queixe dos seus sintomas e aspire á cura. Onde essa demanda está revestida por uma transferência.
"A partir do momento em que os médicos reconheceram claramente a importância do estado psíquico na cura, tiveram a idéia de não deixar mais ao doente o cuidado de decidir o grau da sua disponibilidade psíquica, mas, pelo contrário, arrancar-lhe deliberadamente o estado psíquico favorável, graças a meios apropriados. É com essa tentativa que se inicia o tratamento psíquico "moderno" (FREUD, 1890).
O que mais pra frente Lacan irá entender como "retificação subjetiva".
A relação do psicanalista com a cura
A relação do psicanalista com a cura
Opondo-se a visão do médico que quer suprimir os sintomas, o psicanalista irá fazer uso dos mesmos como uma via de entrada indireta, a fim de trabalhar para dissipar a dor penosa e inconsciente. Pois, fazer desaparecer os sintomas é simplesmente fazer com que os sonhos desaparecessem com que as vozes inconscientes se calassem.
O trecho postado
apresenta outra visão para o tema abordado em aula, e no texto base discutido –
e que faz parte dos “atos de saúde” proporcionando aos leitores uma aproximação
com outras ‘correntes’. É relevante aqui pontuar que ambos acabam por demarcar
que a cura é um conceito singular para o sujeito, e que equipes de saúde
precisam mudar o seu olhar perante a problemática em questão. No entanto,
precisamos ter cautela ao discutir esse
construto que compreende noções empregadas para designar práticas de saúde em
geral, como: ‘atenção’, ‘assistência’, ‘cuidado’, ‘intervenção’, ‘tratamento’ e
‘cura’ na perspectiva teórica apresentada.
REFERÊNCIA:
Nasio, Juan-David. Como trabalha um psicanalista? – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1999.
REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES:
Cf. "Psychanalyse et guérison", documento da jornada de estudos de outubro de 1987 da Escola Propedêutica do Conhecimento do Inconsciente (publicação interna).
Freud, "Traitement psychique (traitement d’âmer)" (1890), in Résultats, idées, problems, op.cit., p.12.
J. Lacan, Télevision, Paris, Seuil, 1974, p.17.
Manuela Lordão
Psicóloga
Oi Manuela,
ResponderExcluirAcho interessante poder trazer outros olhares para compreensão dos sintomas e para o conceito de cura. O que podemos perceber a partir dessa multiplicidade de perspectivas é que tal conceito é muito relativo e sua definição estará inevitavelmente atrelada a uma visão de mundo e de homem.
Luane Neves
Psicóloga, mestranda PPGPSI-UFBA
Isso, e o texto base nos permitiu que ampliássemos o nosso olhar perante o conceito discutido.
ResponderExcluir