Caroline Guerreiro, em tela
comungo a sua idéia, em face da necessidade de colocar o portador da
enfermidade como protagonista direto no processo de cura. Os profissionais de
saúde, de uma forma geral, têm atuado como protagonista exclusivo no processo
de cura, deixando de lado, os processos psicológicos, preocupando-se apenas com
o patológico.
Considero que o processo de cura
vai muito além do que a reabilitação, e/ou propostas terapêuticas, requer um
olhar mais minucioso a cerca do indivíduo, enquanto um ser singular, portador
de crenças, sentimentos, expectativas, anseios, dúvidas, etc. De uma forma
geral, ouso a dizer que o processo de cura vem sendo imposto, talvez aquilo que
os profissionais de saúde consideram cura, para o portador da enfermidade não
seja de fato.
Joankley Costa- Enfermeiro
Joankley,
ResponderExcluirCompletaria sua idéia dizendo que além do profissional, em sua maioria, atuar como protagonista exclusivo, também considera-se como o único detentor de conhecimento, na relação e muitas vezes não considera "o saber" do indivíduo.
Cibele N. dos Santos- Terapeuta Ocupacional
Caros colegas.. vocês tocaram num ponto delicado, e que muitas vezes acabo por vivênciar na minha atuação. Contexto esse que encontro dificuldade em dialogar com outros profissionais, os quais querem impor um modelo de tratamento ao paciente sem ao menos escutá-lo. Onde o seu discurso e de familiares não são considerados, e no final estes profissionais 'culpam' o próprio sujeito de não seguirem as orientações. Já em outro ambiente de trabalho faz parte da minha experiência, a escuta prevalece, e é possível notar a diferença quando o próprio paciente está implicado em seu tratamento - na construção do mesmo.
ResponderExcluirOlá Colegas,
ResponderExcluirPenso que essa discussão seja fundamental, pois muitas vezes a busca pela cura se torna impessoal e "cura-se" uma parte do corpo mantendo-se um sujeito adoecido. Assim, essa discussão me fez lembrar do tema da adesão ao tratamento, tão complexo na prática em saúde.
Luane Neves
Psicóloga, mestranda PPGPSI - UFBA
Em acréscimo às citações supracitadas, contribuo dizendo que para que entendamos mais a fundo todo o processo de construção da medicina e de conceitos como cura-doença-tratamento, recomendo a leitura do livro “Microfísica do Poder” de Michael Foucalt. Tal livro aborda em um de seus capítulos, intitulado “O nascimento da Medicina Moderna”, todo o processo de construção da medicina a partir do final do século XVIII, que de início tem um caráter mais social, onde o Estado tem maior influência sobre as ações adotadas na sociedade, e passa ter um caráter mais assistencialista próprio da contemporaneidade. Tal transição influencia diretamente na concepção do complexo saúde-doença e de como a cura é alcançada. Sendo assim, o curar como algo impessoal muito tem a ver com toda essa historicidade da medicina científica, uma vez que esta ao se individualizar mais em seus cuidados, termina por não agregar suficientemente um olhar mais holístico de cada indivíduo a ser assistido, que propicie uma abordagem terapêutica mais particularizada para cada caso.
ResponderExcluirVanessa Rocha
Enfermeira