domingo, 4 de dezembro de 2011

A Fisioterapia em sua visão funcional: os vários determinantes em busca da cura.

O processo de cura pode ser considerado sobre vários aspectos e conceitos, sejam eles biomédicos (ainda o mais empregado), sociais e antropológicos, popular, religioso e cultural.  A Classificação Internacional da Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), é a classificação de componentes da saúde, definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), responsável por nortear o profissional fisioterapeuta na definição de seu diagnóstico funcional, e a partir daí traçar seu plano de tratamento ao paciente.
A Fisioterapia atua nos três níveis de atenção à saúde, visando à qualidade de vida sob o ponto de vista funcional, além da busca pelo bem estar através da recuperação ou minimização das alterações nas funções físicas e/ou mentais do indivíduo. Para tal, e com a utilização da CIF podemos identificar três vertentes para a elaboração do diagnóstico funcional, são elas: a limitação, considerada totalmente reversível; a disfunção, com reversibilidade parcial; e a incapacidade, irreversível do ponto de vista funcional. Essas definições possibilitam ao fisioterapeuta fechar um diagnóstico funcional mais preciso e consequentemente adotar medidas para o tratamento ideal ao paciente em busca da promoção, prevenção, tratamento, reabilitação e/ou cura.
O profissional Fisioterapeuta está diretamente associado ao processo de cura. Porém, não à cura no sentido da retomada ao funcionamento das ações funcionais do indivíduo do período pré-patogênese, mas ao processo terapêutico de restabelecer, adaptar e/ou habilitá-lo na busca de novas possibilidades, sobretudo, de reinserção social e retorno às atividades laborais, durante todo o ciclo de vida.
O conceito de cura deve ser percebido como objetivo específico e pessoal de cada ser humano, logo, vê-se a importância de considerar todos os aspectos individuais referentes a essa busca, visto que, em se tratando de uma mesma patologia, as limitações funcionais atingem, de forma diferenciada, as condições sociais de cada um em sua nova realidade.
Mesmo com todos os avanços tecnológicos em relação à saúde na atualidade, sabe-se que há uma gama de fatores que devem ser respeitados na busca da cura. Diante do exposto, faz-se necessário que os profissionais de saúde possam ter um olhar cada vez mais refinado sobre a saúde-doença-cuidado e cura, considerando-as em todos os seus aspectos, para que seja possível obter, cada vez mais, uma melhor definição e conhecimento para busca da cura ou minimização dos sintomas que as correlacionam.


Caroline Guerreiro & Sheila Nascimento
Fisioterapeutas


Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) – Organização Mundial de Saúde (OMS), 2001.
SAMPAIO, R. F. et al. Aplicação da CIF na prática clínica do Fisioterapeuta. Rev. Bras. Fisioter. 9(2): 129-136, 2005.
BUCHALLA, C. M. A Classificação Funcional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Acta Fisiátrica. 10(1):29-31, 2003.
FURTADO, J. P. A Fisioterapia na Saúde Mental. Fisioter mov. 8(1):13-24, 1995.

2 comentários:

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  2. Como forma de colaborar com o assunto exposto pode-se afirmar que, segundo Drummond; Rezende 2008, que:
    Na CIF o detalhamento dos construtos funcionalidade e incapacidade se organiza em domínios, conjuntos conceituais práticos e significativos utilizados na classificação. Os domínios são relacionados ao corpo e as ações, tarefas e áreas da vida. Os domínios relacionados ao corpo, apreendidos pelo conhecimento do funcionamento e das estruturas anatômicas, são facilmente identificados por qualquer profissional da saúde por similaridade conceitual com aprendizado tradicional de fisiologia e morfologia. Os domínios relacionados às ações, tarefas e áreas da vida são grande desafio imposto pela classificação que, em última análise, modifica o processo de compreensão do impacto dessas alterações do corpo em atividade e participação como conceito de saúde...
    A CIF assume uma posição neutra em relação à etiologia da saúde e do bem-estar, ou do sofrimento e adoecimento, permitindo o desenvolvimento de interferências diferenciadas, com base nos métodos científicos que dão suporte a cada especialidade técnica ou profissional. Ao utilizar primeiramente as funções e depois as estruturas humanas, já inicia a modificação do processamento de análise de diagnostico e de intervenção, que se consolida na nova concepção de saúde através das atividades e da participação (OPAS, 2003).
    Intervenções da Terapia Ocupacional/Adriana de frança Drummond, Márcia Bastos Rezende,(Organizadoras)-Belo Horizonte; Editora UFMG, 2008.

    Cibele Nascimento dos Santos-Terapeuta Ocupacional

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