Quando nos propomos a discutir sobre os conceitos do processo de saúde e doença percebe-se que o assunto é vasto assim como nossas concepções e nossa cultura. Desta forma sempre podemos contribuir com algo mais. Em mais uma leitura rápida encontrei a definição dada por Rezende e Drummond 2008, sobre a noção de doença:
A noção de doença/desvio é determinada historicamente e, também, definida e diferenciada no contexto sociocultural. O modelo manicomial, que delegou ao hospital psiquiátrico e aos médicos a função de “tratamento” dos doentes mentais, foi construído, no mundo ocidental, durante, pelo menos, duzentos anos e uma redefinição do que seja “doença mental”, iluminada por novas concepções teóricas e práticas, não poderá ser realizada sem outra forma de compreensão dessa noção, que, como qualquer outra mudança social, é processual e, frequentemente, lenta.
Intervenções da Terapia Ocupacional/Adriana de frança Drummond, Márcia Bastos Rezende,(Organizadoras)-Belo Horizonte; Editora UFMG, 2008.
Cibele Nascimento dos Santos-Terapeuta Ocupacional
Assim, complemento com a visão de Uchôa & Vidal (1994) de que “a doença é ora vista como um problema físico ou mental, ora como biológico ou psicossocial, mas raramente como fenômeno multidimensional” (p.500). Dessa forma, a antropologia acaba por contribuir nas premissas básicas do horizonte epistemológico ocidental – o que favorece a construção de um novo paradigma, no que tange, a abordagem da saúde e da doença.
ResponderExcluirUCHOA, Elizabeth and VIDAL, Jean Michel. Antropologia médica: elementos conceituais e metodológicos para uma abordagem da saúde e da doença. Cad. Saúde Pública [online]. 1994, vol.10, n.4, pp. 497-504.
Tal descrição reforça, ainda mais, que a visão cultural a respeito dos modelos de saúde e doença existentes, abrangem um aspecto multivariado que depende, dentre outros segmentos, de uma visão antropológica na busca de uma melhor redefinição no que tange as formas de abordagem no processo saúde-doença.
ResponderExcluirDirecionando um olhar pra esse corpo ...
ResponderExcluirO conceito de normalidade designa para Canguilhem (1995 apud CARVALHO & MARTINS, 2004) tanto um estado habitual dos órgãos, quanto seu estado ideal – a normatividade, e a capacidade que esse corpo tem de agir é também sua capacidade normativa, isto é, a habilidade que possui para desenvolver suas normas interativas com o ambiente. No cenário oposto, que o da doença, a racionalidade médica considera o corpo humano como uma máquina submetida a causas lineares acreditando que é uma resultante da soma das “partes” doentes (órgãos ou sistemas) do corpo maquínico – desarticulando, assim, com a subjetividade.
CARVALHO, Maria Cláudia; MARTINS, André. A obesidade como objeto complexo: uma abordagem filosófico-conceitual. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 9, n. 4, Dec. 2004.
Considero relevante a citação feita por Cibele a cerca da redefinição do conceito de doença e tratamento. Observam-se mudanças perceptíveis ao longo da história de como a doença e o tratamento eram abordados, principalmente quando se refere ao campo da saúde mental, onde, de acordo com a época, a doença mental era encara sob diversas perspectivas, que levaram muitas pessoas a serem retiradas do convívio social e colocadas em locais isolados, por serem considerados como perigo à sociedade. Muitos tratamentos também foram utilizados, a exemplo da remoção de lobos cerebrais, como forma de cura da doença mental. Portanto, pode-se sim inferir que o conceito de doença, de tratamento e cura, se modificam conforme a época, a cultura, as crenças e valores os quais uma dada sociedade está inserida.
ResponderExcluirVanessa Rocha
Enfermeira
No entanto, a repetição de alguns comportamentos ainda fazem parte do contexto de saúde que estamos imersos - onde muitos não conseguiram descolar-se do conceito de cura como uma remoção total dos sintomas, e assim acabam por não saber lidar com aqueles ditos como: "doentes mentais".
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